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TRIÂNGULOS AMOROSOS

Em Hollywood, um diretor senta com seu roteirista para discutirem o tema do que será o próximo sucesso de bilheteria juvenil.

As idéias são postas a mesa, os argumentos e defesas das idéias são debatidos, a receita do sucesso fica tão clara como a água.

– Já conhecemos a receita certa para o sucesso. Não é preciso arriscar e inovar. Defende suas próprias convicções o diretor.

– Nossa última comédia romântica foi sobre o descobrimento do amor, mas como não podemos fazer um filme sem emoção, o protagonista encontrará a amada, mas precisara perdê-la para reencontrá-la no final do filme, para ter o “felizes para sempre”.

Essa formula já é conhecida pelos escritores e roteiristas como “A Jornada do Héroi”, onde o protagonista precisa ter o seu chamado para a aventura, uma dificuldade e por final a superação dessa dificuldade. Ou seja, inicio meio e fim.

Para não mudar a formula do sucesso, é preciso enfeitar os romances circular entre os acontecimentos e introduzir fatos diferentes.

É preciso criar um enredo diferente para contar uma mesma história. Várias e várias vezes, muitas delas tem a introdução de um fator sobrenatural ou amores impossível, assim como famílias rivais e até mesmo um lobisomem que ama uma vampira.

Sempre o mesmo tipo de romance contado de forma diferente. O amor tem diferentes formas mas será sempre amor. A receita que nos passam é que para o amor ser grande ele precisa ser triste e especialmente: DIFÍCIL.

As idéias foram debatidas e por fim decidem que é hora de “inovar”.

– Então partiremos para a segunda receita de sucesso. Introduziremos um triângulo amoroso. Defende sua idéia de inovação o roteirista.

Mas o que todos não sabem, é que triângulos amorosos reais não são nada como nos filmes.

A idéia é sempre a mesma: Marcelo namora com Paola, que por sua vez ama Bruno, melhor amigo de Marcelo. A história gira se desenvolve e tem o mesmo resultado: Paola larga Marcelo e fica com Bruno.

Poxa Paola, porque não ficou com Bruno desde o inicio?

Marcelo se fode e sofre sozinho. Mas como é uma comédia romântica, no final há o perdão, milagrosamente magoas serão esquecidas. Todos se perdoam e ficam amigos, até mesmo introduzem um quarto integrante que seria uma mulher que fará par com Bruno. Tudo o que os telespectadores querem.

O filme é um sucesso de bilheteria em sua estréia, após o acender das luzes, as pessoas limpam as lágrimas, agradecem pelo resultado, sinal de que sua torcida para o personagem valeu a pena. O publico sempre se divide em quem torcerá por Marcelo e quem torcerá por Bruno.

Mas encaremos a realidade: Que tipo de amigo é Bruno por cobiçar a mulher do melhor amigo? Que tipo de mulher é Paola por olhar para o amigo do seu namorado?

“Não escolhemos a quem amar.” É a primeira frase que surge na mente de quem lê essa crônica.

Tudo bem. Se você está em um relacionamento mas deseja outra pessoa, a primeira coisa é sair do relacionamento, dar o tempo necessário de cura, deve haver a consideração pela outra pessoa. Só depois pense em se envolver.

O filme dura duas horas, não há tempo para tudo isso. As pessoas não terminam o namoro, elas fazem a “troca”, abandonam e imediatamente começam a se relacionar com o terceiro integrante do triangulo. Que também, movido pelo desejo não pensa em mais nada.

Sempre em um triangulo amoroso, ao cair da noite, existirá duas pessoas abraçadas enquanto uma terceira sofre.

Não há perdão. Mesmo que ao final de tudo, dos desaforos trocados, das ofensas, a frase:

“Podemos ser amigos” seja dita seu significado é nulo. É apenas o sinalizar da bandeira branca. Nada foi perdoado e nada será esquecido.

É preciso pesar muito a balança, se a amizade é verdadeira, o melhor que Bruno deveria ter feito era se afastar e deixar o amor do casal viver e morrer sem interferências externas. Quem interfere no amor dos outros não tem direito de ter os seus.

Existe a maneira certa de fazer: Você não precisa impedir a felicidade de entrar se ninguém saíra ferido na situação. Se você por algum motivo se apaixonou por uma ex do seu amigo, obviamente você pode ser feliz. Porque não poderia? Mas existe a maneira certa de fazer e a maneira errada.

Maneira certa: ter a certeza absoluta que não marcara a amizade por um simples desejo passageiro. Ter a certeza de que seu amigo não sente mais nada pela mulher que você esta afim.

Maneira errada já foi descrita, evite os olhares e se afaste se ainda há envolvimento.

O outro lado da moeda.

Você terminou um relacionamento. Não houve mágoas entre os envolvidos e você superou e até mesmo já está atraído por outra pessoa. Seu amigo tem uma franca conversa com você sobre querer se envolver com sua ex.

Você não tem motivos além do orgulho para dar a sua benção. Você não dá permissão porque você não tem esse poder. As coisas podem acontecer mesmo que você não queira, a melhor maneira de lidar é aceitar. Você pode estar do outro lado da moeda em um futuro por isso sempre aja corretamente.

Triângulos amorosos não são nada como os filmes da televisão. Quando acontece enquanto há envolvimento, não passa de uma traição grotesca. A mulher que você ama e seu melhor amigo, um choque que não é facilmente superado. Atitude geradora de rancor que nunca passará. Afinal um homem estava feliz com a namorada até que outro veio a cobiçar o que lhe “pertencia”.

Quem são os culpados?

É certo defender Marcelo, e forçar Paola a ficar com ele se ela não o ama? Mas se não o ama, porque estão namorando? Comodismo?

As pessoas evitariam a maioria dos problemas amorosos se pensassem antes de agir, se fossem mais fortes que os desejos. As pessoas são livres para fazerem o que quiserem, mas não são livres para brincar com o sentimento de ninguém.

REFLEXÃO DO AUTOR

Se eu estivesse em um triangulo amoroso, a primeira coisa seria pedir o afastamento do “fura olho”, mas só permaneceria no namoro se a mulher ainda nutrisse algum sentimento por mim. É melhor o fim do que a ilusão.

Se eu estivesse atraído pela mulher de um amigo, eu me afastaria e não me meteria no relacionamento dos dois, também não faria parte da rotina do casal. Existem outros peixes na água.

Se eu fosse o “alvo” do triangulo, eu teria uma conversa franca e clara com as duas mulheres:

– Calma muita calma minhas queridas.

– Se a gente conversar direitinho, todo mundo transa 😀

J.F Rozza


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J.F Rozza View more

J.F. Rozza – Empresário, Investidor, Educador Financeiro e escritor, formado na vida.
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