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O CICLO DE DOR DAS DROGAS

A HISTÓRIA DO JOÃO E O ZÉ FISSURA

Essa história é para aqueles que são bem sucedidos, mas que não se contentam somente em obter o sucesso. É preciso financiar o crime, ou os que lutam para transformar o traficante em empresário. Ainda há alguns simpatizantes que ficam enfurecidos ao ler um texto assim, alegam que conhecem advogados e médicos que usam cocaína e outras drogas e mesmo assim prosperaram.

Claro, menos de 1% de casos são como esses, isso se chegar a 1%, e que bom exemplo estão dando.

Financiando a arma, que será usada por um mesmo viciado: mas esse não é um viciado com doutorado, esse é um Zé ninguém, um coitado sem condições financeiras que para sustentar o vicio terá que roubar, usará a arma em um assalto, ele precisa urgentemente de dinheiro para comprar uma pedra de crack.

Está na “fissura” e não importa o que vai ter que fazer para conseguir o que quer.

Na ponta do trinta e oito estará a vitíma: um inocente, caixa de alguma lojinha ou frentista de um posto de gasolina, um trabalhador que estava no lugar errado e na hora errada.

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A história de João.

João é um típico pai de familia brasileiro, passa o dia fora trabalhando, a noite senta no sofá assistir a novela com a mulher e os dois filhos. Sempre com sorriso no rosto mesmo com dias sempre difíceis, o inicio do mês sempre apertado, assim como o meio e o fim do mês. Mas seu João não reclama, tem uma família que o ama, ele secretamente guarda 50 reais por mês em uma poupança, desde o dia em que teve o primeiro filho, espera que mesmo ele, sendo caixa de supermercado consiga ao menos ajudar um dos filhos a formar-se em uma faculdade.

Sempre soube que jamais poderia formar os dois filhos com o seu trabalho, seu plano era formar o mais velho que depois ajudaria o mais novo.

Obviamente a família sentia falta daqueles 50 reais no mês, algumas calorias a menos para cada um deles durante as refeições. João não tinha vícios, não bebia mais. Na juventude era adepto de uma cervejinha, mas quando tornou-se pai abdicou da pratica, pois uma garrafa de cerveja teve que transformar-se em um pacote de fraudas.
Nada na sua vida foi fácil, veio de família simples e humilde, nunca conheceu o pai e perdeu a mãe cedo. Por muito tempo foi sozinho no mundo até que conheceu a esposa.
Era um trabalhador honesto, que levantava cedo todo santo dia.

O Ciclo começou em uma típica sexta-feira. O sol mal havia aparecido no horizonte, levantou cedo porque precisava pegar dois ônibus para chegar até o trabalho.
Estava pronto para sair, mas como era de costume, encontrou tempo para ir até o quarto dos filhos, deu um beijo na testa de cada um. Era um pai amoroso e cuidadoso.
Essa sexta-feira era uma ocasião especial, saiu de casa feliz porque hoje era dia de pagamento. Vai receber e comprará ingredientes para fazer um jantar especial, é aniversário do caçula. Seus filhos não ganhavam presentes, o que ganhavam era uma celebração, assim o presente era para todos os membros da família.

Infelizmente, o caçula ficaria sem festa nesse ano. Tudo começou na parte rica da cidade, onde o bem sucedido ou o playboy, (que acha que por consumir drogas e isso não afetar sua vida, não afetará a vida de mais ninguém.)
O ciclo começa com ele, ele financia o trafico, ele é quem coloca a bala no revolver do fissurado.

Seu João trabalhou o dia inteiro, separou cuidadosamente os ingredientes que levará para casa. Quando aproxima-se da hora de fechar o caixa, um jovem entra pela porta da frente. Seu João lhe dá as boas vindas. Nessa hora pensou nos filhos, o jovem tinha a mesma idade que o seu mais velho.

O sorriso de seu João fez com que uma estranha onda de calor emanasse do seu peito, mas o calor também trouxe uma dor angustiante, seu João caiu ao chão.

O fissurado limpou o caixa e saiu em disparada, o dinheiro no caixa sustentaria o seu vicio por uma semana até que precisaria fazer uma nova vitima.

Seu João, pai de família, morre sozinho vitima do drogado que consome do mesmo fornecedor que a maioria dos playboys da cidade.

A história de luta e amor pelos filhos de João chega ao fim.

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A história do Zé Fissura

O Zé Fissura foi convidado a experimentar um cigarrinho, . Na inocência e com medo de ser excluído do grupo dos “legais” ele acaba por levar a boca o primeiro cigarro, que logo é substituído por um cachimbo. Ali começaria uma história de amor e ódio.

– O Zé não era um menino mal. Contava a mãe para a policia.

– Ele perdeu o pai muito cedo, vitima de um assalto ao supermercado. Desde então ele não foi mais o mesmo. Mas ele é um bom menino.

O Zé fissura largou os estudos e a namorada. Seu novo amor era tudo do que ele precisava. Não precisa nem de um teto, banho quente ou roupas limpas. Tudo o que ele precisava ele encontrava naquela pequena e breve brasa.
Mas o que o Zé precisava mesmo, era de um meio.

Um meio para obter a sua pedra diária, primeiro vendeu tudo de valor que a família tinha. Descobriu que o pai havia deixado uma pequena herança em sua conta bancária, não demorou muito para descobrir a senha, a mãe não costumava levar o cartão da poupança para o trabalho. Foi fácil descobrir a senha, era a sua data de aniversario. No inicio ele sentiu-se mal por isso, e retirava apenas cem reais por semana, conseguia se anestesiar por alguns dias.

Até o dia em que foi no caixa eletrônico e a mensagem “saldo insuficiente” apareceu na tela. Ele enfurecido foi na casa que já não freqüentava a tempos, nem mesmo a chave tinha mais. Bateu na porta e o irmão caçula abriu. A mãe não estava mas havia deixado a bolsa em casa, pobre mãe ingênua, o Zé achou tudo que precisava, a mãe havia recebido seu salário dias antes, um suado dinheiro conquistado fazendo faxinas nas casas dos ricos da cidade.
Aquele foi um mês difícil para a mãe e o irmão, o Zé havia desaparecido.

No final do mês, a mãe estava em uma faxina, na casa de um importante médico da cidade. Enquanto aspirava o carpete, derrubou sem querer um vaso de cima da mesa. Por sorte o vaso não quebrou, mas não faria diferença. Quando levantou para colocar o vaso em cima da mesa o derrubou novamente. A imagem dos eu querido filho em pé a sua frente foi um alivio e um pesadelo ao mesmo tempo. O amoroso Zé havia ido visitar a mãe.

Contou umas histórias absurdas e falando sobre mudanças, sobre deixar as drogas, a ingênua e esperançosa mãe, deixou o Zé sozinho na sala por alguns minutos, enquanto ela ia até a cozinha pegar na bolsa, dinheiro para o filho almoçar e pegar o ônibus para ir para casa.

Quando voltou a sala o Zé não estava mais, nem o notebook, nem a pasta do Doutor. Zé Fissura deu um último presente para a própria mãe.

O Zé ainda pegou o porta retrato de cima de mesa do Dr. Não que tivesse valor mas a mulher da foto era extremamente linda. Guardou a foto para si.

Passou alguns meses, a mãe havia se mudado e o Zé arrumou um emprego.

Ele agora trabalhava de “burro de carga”. Os carros paravam na esquina, o Zé ia até o carro, recebia o dinheiro e subia correndo até onde o traficante se escondia, entregava o dinheiro e descia correndo entregar a droga.

Em uma das entregas, o Zé reconheceu imediatamente a linda menina, que lhe entregou algumas notas de cem em troco de ecstasy. A mesma moça rica que o Zé carregava no bolso. justamente ela ali comprando a mesma droga que o Zé consumia diariamente.

Dias depois o traficante acabou sendo morto em uma batida da policia, sem emprego e sem família, o Zé precisava roubar para sustentar o seu vicio. Arrumou um revolver, encontrou seu alvo. Um supermercado bem movimentado, alvo fácil, no fim do dia apenas um senhor fechava sozinho as portas.

Esperou até diminuir o movimento do mercado e entrou já atirando, o caixa do supermercado nem teve tempo de entender o que aconteceu. Zé limpou toda a caixa do supermercado e fugiu em disparada.

Temporariamente, após consumir o fruto do seu roubo, precisava ele roubar novamente.

Dessa vez o Zé não teve muita sorte, a arma falhou e o segurança sacou antes que ele tivesse chance de apertar o gatilho uma segunda vez.

Em casa a mãe recebe o telefonema que já esperava a tempos, ela chora e sente-se aliviada ao mesmo tempo.
Ao ver a mãe chorar, o seu filho mais novo já na adolescência pede do irmão. A mãe conta e inconformado por perder o pai e o irmão, o caçula sai de casa enfurecido e nunca mais retorna. E o ciclo sem fim tem o seu recomeço.

J.F Rozza

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J.F. Rozza – Empresário, Investidor, Educador Financeiro e escritor, formado na vida.
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