setesamurais

CÓDIGO DA CONQUISTA

OS SETE SAMURAIS

“Conta a lenda que havia um grupo de sete samurais que combateram a tirania no Japão antigo, após uma dura batalha onde hoje é a cidade de Kyoto. Esses samurais sofreram uma grande derrota, eram os últimos conhecedores do código da conquista passado a eles pelas suas gerações passadas. Após a batalha, mesmo feridos, restaram sete homens que seguiam o antigo código da honra.

Foram obrigados a fugir para o interior do Japão, muito feridos, pois não sobreviveriam a uma viagem muito longa. Ao chegarem a uma montanha, decidiram montar acampamento onde provavelmente seria o seu túmulo.

O mais jovem dos samurais era teimoso e não aceitava ver seus irmãos morrerem dessa maneira, um samurai deve morrer pela espada e não pelo cansaço. Ao cair da noite, este samurai partiu em busca de ajuda para os demais.

Passaram-se dias e o comandante, que estava mais ferido, já temia pela vida do jovem soldado.

Ao cair do sol, a lua começou a iluminar toda a paisagem, e quando as esperanças pareciam perdidas, o samurai retornou com um grupo de camponeses para ajudá-los.

Até o mais forte guerreiro, um dia precisará de ajuda.

Os camponeses carregaram os samurais em suas carroças, viajaram por um dia inteiro até chegar a um pequeno vilarejo, era um lugar comum, com as casas tradicionais do antigo Japão feudal, tudo parecia normal, exceto pela enorme *macieira localizada no centro da vila.

Os camponeses eram pessoas simples e bondosas, mas estavam tão acostumados com a sua vida ao redor da árvore, que mal sabiam o que se passava no resto do Japão.

Com o passar dos dias, os camponeses trataram dos soldados, um a um, com enorme dedicação e em algumas semanas, todos estavam recuperados e prontos para uma nova batalha.

O comandante decidiu permanecer mais um tempo na vila, a fim de entender os costumes locais, e como poderia retribuir a essas pessoas.

Aos poucos, foi percebendo que todo o sustento das pessoas eram retirados da macieira. Ele e um dos seus soldados contaram que, no resto do Japão, alguns cultivam a terra por meio da agricultura, e outros cultivam a pecuária.

Mas suas idéias pareciam absurdas para os moradores do vilarejo. Eles acreditavam que tudo o que pudessem precisar Deus traria para eles. Em pouco tempo, ele percebeu que todos sobreviviam apenas do que a macieira lhes oferecia, juntavam as maçãs que caiam durante o dia, e dela faziam tortas, doces, tudo provinha desta árvore.

O samurai começou a ficar indignado com o modo de vida desse povo, pois passavam os dias deitados, cantando, brincando e não se esforçavam nem um pouco, ou batalhar pela vida que lhes foi oferecida, sua vida era baseada na espera que mais frutas caíssem da arvore.

Era uma vida cômoda e baseada apenas na sobrevivência.

Com o passar dos meses, começou o sussuro de que o comandante estava vivo, e bastou essa faísca para que os clãs começassem a se unir uma vez mais, os últimos sobreviventes reuniram-se para tentar um ultimo ataque às forças imperiais.

Era a hora dos sete samurais partirem.

Os camponeses deram suprimentos para alguns dias, desejaram boa viagem e os samurais partiram.

Ao andar um pouco, o comandante, respeitado por sua sabedoria, ordenou que todos parassem. Ao longe ele contemplou a paisagem com a qual até mesmo ele se acostumou. Certas noites, ele questionou se deveria continuar lutando para viver, ou se deveria passar seus últimos dias à sombra da macieira, sem preocupações, num penumbra que não conhece nem vitória nem derrota, nunca mais precisando pegar a sua espada para lutar, poderia viver pacificamente. Ao se lembrar disso, o samurai empunhou sua espada, ergueu-a sob a cabeça, apertou com toda força o seu cabo e ordenou aos seus generais.

– Vão! E derrubem a macieira!

Os generais mais experientes, sem questionar, sacaram as espadas e retornaram ao vilarejo, enquanto ouvia os gritos desesperados dos aldeões, seu mais jovem soldado tentava persuadi-lo.

– Não faça isso, as pessoas foram boas conosco, trataram nossos ferimentos e estamos vivos hoje graças à sua bondade.
O comandante olhou para o soldado, o qual pôde ver através dos olhos que o fitavam a força da alma do samurai.

– Meu filho, é por estas pessoas serem tão boas conosco, que eu não posso partir e deixá-las assim, tirar o comodismo delas, é o melhor que eu posso fazer por elas.

Essas pessoas irão sofrer no início, com a dor da perda, sempre que perdemos algo estimado, que parece insubstituível para nós, achamos que a nossa vida acabou e os fracos desistem de lutar e entregam-se à dor e ao desespero de perder algo conhecido e estar à frente do desconhecido.

Os moradores do vilarejo não têm ambições, não sabem lutar pelo que querem, estão à mercê do que a vida generosamente lhes dá, eles não saberão o que fazer se um inverno chegar e for tão rigoroso a ponto de a árvore não gerar frutos , todos perecerão porque não sabem fazer outra coisa na vida além de esperar os frutos que caem do céu, eles não conhecem a glória e a satisfação de conquistar algo com as próprias mãos.

E esse é o meu presente de agradecimento a eles, mesmo que muitos não entendam agora, mas o aprendizado nunca vem com sorrisos, dificilmente você aprende algo quando tudo dá certo, e quando as dificuldades aparecem, você pensa que é o fim do mundo e não há salvação.

Essas pessoas aprenderam isso hoje, choraram ao redor da árvore, e então irão partir, porque precisam evoluir e parar de depender da sorte.

Saberão que muito mais lhes pode ser oferecido, se batalharem duro por isso e não apenas esperar que as coisas caiam dos céus para eles.
Partimos agora, temos a nossa própria luta a travar.

Os samurais partiram, e lutaram meses e meses, até serem derrotados pelas forças imperiais, mas o seu código de honra, jamais seria esquecido, pois o mais jovem dos guerreiros fora poupado por sua nobre linhagem.

Este fez um juramento ao seu pai, de que jamais desistiria do que acredita, e em meio a qualquer dificuldade ele nunca se abateria ou choraria com saudade do passado.

O mundo já não precisava mais dos samurais, e o jovem decidiu partir, sempre quisera voltar ao vilarejo para saber como as pessoas estavam.

Ao chegar à montanha, percebeu que nada restava, não sabia se as pessoas haviam partido ou morrido de fome.
Decidiu descer até a margem do rio onde passou a noite, no dia seguinte, havia mulheres e crianças nas outras margens, além de pessoas com redes nos rios.

Logo reconheceu alguns rostos, eram os camponeses, que desceram a montanha para fundar uma nova vila próximo ao rio, pois a terra era boa para cultivar.

Haviam evoluído muito, todos tinham suas obrigações, e as pessoas nunca estiveram tão satisfeitas antes. Aprenderam a lutar quando se quer algo.

Este foi o legado que o comandante deixou, mas tarde esse vilarejo tornou-se a capital de todo o Japão. Tudo porque lhes foi confiado, o ‘Código da Conquista’.

Era um lugar onde seguiam seus códigos de honra, e principalmente, o código da conquista, que lhes ensinou que, quando querem alguma coisa, eles devem lutar para isso. Que apenas o trabalho gera frutos, eles nunca caem do céu.

Quando ganhamos as coisas de mãos beijadas, dificilmente as valorizamos, e passamos a não viver, mas apenas existir e que somente se é derrotado, quando se desiste de viver.

As limitações do que você é capaz de realizar somente serão conhecidas no seu leito de morte, e mesmo no final lamentará apenas pelas desistências e não pelos fracassos.

Fracassar é apenas aprender a forma errada de se fazer algo. Desistir enquanto é capaz de agir, é o mesmo que cometer suicídio.

Porque enquanto você está vivo não existem limitações nem lamentações, apenas oportunidades.

J.F Rozza

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J.F. Rozza – Empresário, Investidor, Educador Financeiro e escritor, formado na vida.
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